Futuro do esporte Brasileiro.

O novo diretor executivo de Esportes do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Agberto Guimarães, esteve em João Pessoa (PB) para acompanhar os Jogos Escolares da Juventude e pôde conferir de perto a atuação dos promissores atletas das nove modalidades individuais dos Jogos. Em sua primeira viagem para os Jogos Escolares como novo diretor executivo do COB, Agberto ressaltou a importância da competição na detecção de talentos para o esporte olímpico nacional. Os Jogos Escolares da Juventude reúnem na capital paraibana quase quatro mil atletas de 15 a 17 anos. A partir desta terça-feira, dia 15, começam a ser disputadas as quatro modalidades coletivas (basquete, futsal, handebol e vôlei) da maior competição estudantil do país.

“Os Jogos Escolares da Juventude são uma marca definitiva do COB em relação à detecção de talentos. É, sem dúvida nenhuma, um dos maiores, se não o maior evento escolar do mundo, onde temos a oportunidade de avaliar verdadeiramente os talentos que surgem nas escolas pelo Brasil afora”, declarou Agberto, quarto colocado nos 800m dos Jogos Olímpicos Moscou 1980.

Agberto acredita que o modelo atual dos Jogos Escolares privilegia a maior participação de alunos-atletas. “Sou de uma época de Jogos Estudantis em um modelo bem diferente do que temos agora. O formato atual é muito mais bacana. O atleta representa a própria escola, não mais uma seleção do estado. Isso possibilita uma maior abrangência e aumenta as chances de surgirem novos  talentos”, analisou o novo executivo do COB. “O fato dos Jogos serem organizados em duas faixas diferentes permite também uma maior quantidade de atletas e nos possibilita olhar para um número muito maior de jovens. A partir daí, podemos desenhar um modelo de muito mais sucesso na detecção de talentos do que tínhamos antigamente”, complementou o paraense de 59 anos, com três participações em Jogos Olímpicos no atletismo (Moscou 1980, Los Angeles 1984 e Seul 1988).

Depois de nove anos envolvido na organização dos Jogos Pan-americanos Rio 2007 e posteriormente do Rio 2016, Agberto voltou ao COB no início de outubro para elaborar e executar o planejamento esportivo da entidade no novo ciclo olímpico. Neste sentido, os Jogos Escolares assumem grande importância na descoberta de novos atletas para o alto rendimento.  “Estou voltando ao COB para começar um trabalho com o objetivo de focar, principalmente, na parte de resultado técnico. Os Jogos Escolares da Juventude são uma peça importante desse processo. A gente não consegue fazer alto rendimento sem ter uma base muito bem consolidada. Os Jogos Escolares nos dão a oportunidade de fazer exatamente isso, de garimpar os novos talentos nas escolas. A gente detecta os talentos aqui nesse evento e temos como aproveitá-los melhor. Ou  seja, temos um produto espetacular nas mãos”, destacou o diretor executivo de Esportes do COB.

Os Jogos Escolares da Juventude são disputados em duas faixas etárias – 12 a 14 anos e 15 a 17 anos – e cada edição tem 13 modalidades esportivas. Com a entrada de novos esportes nos Jogos Olímpicos, Agberto acredita que o programa dos JEJs possa sofrer algumas adequações para ser mais eficaz. “Vale até a gente pensar num modelo em que façamos um revezamento em algumas modalidades. O basquete, por exemplo, poderia ser feito tranquilamente em um ano o basquete tradicional e no outro o 3×3, que já faz parte dos Jogos Olímpicos da Juventude. Essa mudança é saudável. Você trabalha um pouco mais, dá a oportunidade de injetar um sangue novo”, observou Agberto, que é formado em Educação Física pelas Universidades de Brigham Young (EUA) e de São Caetano do Sul (SP).

Agberto impressionou-se ainda com a organização dos Jogos Escolares em João Pessoa. “Ver a garotada competindo em um evento com esse nível de organização é muito bacana. O evento não deve nada para nenhum outro dessa natureza no mundo. O Brasil se tornou referência na organização dos Jogos Escolares da Juventude. Tanto é que o COI manda vários observadores todos os anos para que eles possam buscar conhecimento conosco. A organização do evento é muito bacana. Não falta nada”, avaliou o campeão pan-americano nos 800m e 1500m em Caracas 1983.

Depois de alguns dias em João Pessoa acompanhando o futuro do esporte nacional, Agberto voltou ao Rio de Janeiro para dar prosseguimento a seu trabalho no planejamento do esporte brasileiro para o novo ciclo olímpico. “Esse tipo de evento renova a energia da gente. Ver jovens tendo esse tipo de tratamento é o que a gente sempre quis, para que eles possam ver no esporte um caminho melhor do que muitas outras coisas ruins que acontecem no meio da rua. Eu sou extremamente grato ao esporte por tudo que fez por mim. O modelo que temos aqui permite que as crianças tenham uma oportunidade de praticar esportes, de conhecer outras crianças do Brasil inteiro e voltar para casa com a sensação de que foram nos Jogos Olímpicos dos seus sonhos, independentemente de ser atleta de alto rendimento ou não. Estamos no caminho certo”, projetou o diretor do COB.

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